Informações publicadas no site do Escritório Marroquino de Propriedade Industrial e Comercial (OMPIC) indicam que Moulay Mounir Al Qadiri Boutchich apresentou um pedido para registrar a denominação “Fórum Mundial do Sufismo” como marca comercial em seu nome. O pedido foi protocolado em 20 de agosto de 2025 e publicado oficialmente em 22 de janeiro de 2026
De acordo com dados divulgados, o processo de análise desse pedido levou cerca de cinco meses, um prazo mais longo do que o normalmente observado nesse tipo de procedimento, já que o OMPIC costuma publicar os pedidos em poucas semanas, abrindo então o período de contestação ao público. Esse atraso levantou questionamentos por parte de alguns observadores, especialmente porque o termo “sufismo” possui uma forte carga religiosa e simbólica, considerada, do ponto de vista jurídico, como um patrimônio comum, cujo registro como marca exclusiva costuma ser tratado com cautela
Nesse contexto, surge um debate mais amplo sobre a compatibilidade do registro de uma denominação de caráter religioso com as exigências de proteção da ordem pública, sobretudo considerando que o Fórum Internacional do Sufismo tem sido, desde a sua criação, um espaço aberto, organizado com a participação de diversas instituições, entre elas a Fundação do Fórum e o Centro Euro-Mediterrâneo de Estudos do Islã Contemporâneo, ao longo de 19 edições consecutivas
Alguns analistas entendem que essa iniciativa se insere em transformações mais profundas vividas pela confraria Qadiriyya-Boutchichiyya, considerada uma das maiores ordens sufis do Marrocos, com ampla projeção no continente africano e em nível internacional. A iniciativa também coincidiu com sinais simbólicos, como a cobertura televisiva oficial da cerimônia de comemoração do nono aniversário do falecimento do xeque Hamza Al Qadiri Boutchich, presidida por seu neto, Moulay Mounir, o que foi interpretado como uma confirmação de sua posição espiritual e organizacional dentro da confraria
Por outro lado, esse debate reacende a controvérsia histórica sobre a relação entre as zawiyas sufis, o poder e a política, tanto durante o período colonial quanto após a independência. As interpretações variam entre aqueles que veem nessas estruturas um fator de estabilidade e coesão social, e aqueles que as consideram instrumentos de controle do campo religioso e político
Entre os que defendem o direito de organizar o fórum e protegê-lo juridicamente, e os que temem a transformação de um símbolo espiritual coletivo em uma propriedade exclusiva, a questão permanece em aberto
Estamos diante de uma simples medida organizacional para proteger um evento espiritual de alcance internacional, ou de uma mudança mais profunda que transforma o sufismo de um espaço espiritual compartilhado em uma marca de natureza comercial e jurídica؟













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